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A compaixão e o amor são a melhor resposta à violência

Terça-feira, 16.04.13


Depois do choque da visão da violência no local mais inesperado, uma maratona numa rua cheia de pessoas, de uma cidade a festejar uma data histórica, a calma de Obama foi a resposta mais adequada a este drama indescritível. Lembrou a resposta pronta e apoio de todos os que estavam perto das vítimas, resposta de empatia e compaixão, e nesse sentido está correcto falar-se de heroísmo: apesar do medo, ajudar quem está ferido e apoiá-lo até chegar a ambulância, em vez de entrar em pânico ou em fuga, a primeira reacção de sobrevivência. Cada um respondeu de forma adequada a uma situação trágica que decorre da violência, como alertar outras pessoas ou ser dador de sangue. Nos hospitais não faltaram médicos prontos ao serviço, incluindo estudantes.


Mesmo que este acto de extrema violência se venha a relacionar com alguma intervenção americana bélica no exterior (e ainda não se ouviu essa confirmação a nenhuma voz oficial), nada perde da sua indescritível perversidade: escolher civis indefesos numa prática desportiva inofensiva.

A verdadeira coragem e integridade interior manifesta-se na empatia com a vítima, na sua fragilidade e desamparo, e não na identificação com o autor da violência.

 

A violência pode ter muitos rostos mas parte da mesma origem: o ódio e o vazio, a glorificação da morte e da destruição, a ausência de empatia.

O ódio tem uma única raíz: ódio de si mesmo ou desprezo por si mesmo (segundo Arno Gruen, por ausência de amor em idade muito precoce e/ou vítima de qualquer forma de violência física ou psicológica), vazio emocional, incapacidade de empatia (ler A Traição do Eu, da Assírio e Alvim, e Falsos Deuses, da Paz Editora).

Arno Gruen explica a complexidade das diversas expressões da violência actual em A Loucura da Normalidade (Assírio e Alvim).

O melhor antídoto da violência é o amor e a empatia (compaixão), o respeito por si próprio e pelo outro, sentir a dor do outro como sua. Por isso a resposta pronta dos que apoiaram as vítimas logo após o impacto da explosão é verdadeiramente o melhor antídoto de actos de violência indescritíveis como este.

 

Quem pratica um acto de violência tem como intenção provocar uma determinada resposta que tenha impacto: medo, pânico, sofrimento. A destruição preenche o seu vazio interno. Qualquer tipo de destruição.

Agora reparem: vivemos numa época que enaltece e vende a violência como produto de audiências. É a cultura trash no seu melhor. Séries televisivas com diversas formas de matar, filmes com explosões de todo o tipo, um espectáculo que vende. O fascínio pelas armas sofisticadas, que só consigo entender como instrumento de compensação de uma falta qualquer. Tudo servido em sequência e acessível a crianças e a adolescentes.

Enaltecer a violência como espectáculo para consumo de massas é contribuir para banalizar a violência e torná-la quase aceitável em vez de profundamente reprovável. E muitos dos que praticam este tipo de violência indescritível procuram ter um forte impacto, uma grande publicidade a todo esse caos que querem provocar.

Sim, a verdadeira coragem e integridade interior manifesta-se na empatia com a vítima, na sua fragilidade e desamparo, e não na identificação com o supostamente mais forte autor da violência (linguagem do poder).


A par desta cultura trash vemos surgir uma cultura da amabilidade, própria de uma consciência emocional, empática, de respeito por si próprio e pelo outro e que hoje, com a comunicação universalizada, ultrapassa a distância geográfica e as especificidades culturais.

Seria muito mais saudável, a meu ver, a escolha de guiões que festejem a vida, mesmo as coisas mais simples da vida, em séries televisivas, em jogos de computador e em filmes. Podem até referir-se à violência mas sem a glorificar, mostrando o rasto de destruição que deixa atrás de si, a sua natureza profundamente doente.



Entretanto também aqui uma análise da cultura de morte nos States: em Wall Street (concordo), em Hollywood (cá está, os filmes e as séries televisivas) e na poderosa indústria de armamento (que tinha, como figura mediática, um actor do seu lado).

E pensar que os Peregrinos do Mayflower idealizaram um mundo de tolerância, de liberdade de expressão, de liberdade religiosa. Boston está ligada ao início dessa América idealizada.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 18:10


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